O que é ROAS e como ele se diferencia do ROI

Atualizado em julho de 2026.

Todo mês chega o relatório do gestor de tráfego cheio de sigla: “ROAS de 4x”, “ROI da campanha positivo”. Você acena com a cabeça, mas no fundo não sabe se aquele número é bom nem qual dos dois olhar para decidir se continua investindo. Este artigo explica o que cada métrica mede, como calcular as duas e, principalmente, quando usar cada uma para tomar uma decisão melhor.

O que é ROAS

ROAS (Return on Advertising Spend, ou Retorno sobre o Investimento em Publicidade) mede quanto de receita você gera para cada real gasto em anúncio. Ele olha só para a mídia paga, nada além disso.

A fórmula é direta:

ROAS = Receita gerada pelos anúncios ÷ Valor gasto em anúncios

Exemplo. Uma clínica de estética investiu R$ 2.000 em anúncios no mês e esses anúncios geraram R$ 8.000 em receita. O ROAS foi 8.000 ÷ 2.000 = 4. Ou seja, cada R$ 1 investido em anúncio trouxe R$ 4 de receita. O mesmo número pode aparecer como percentual: 400%.

Fonte: Google Ads Ajuda — Lance de ROAS alvo

O que é ROI

ROI (Return on Investment, ou Retorno sobre o Investimento) mede o retorno de um investimento levando em conta todos os custos envolvidos, não apenas o anúncio. Entram na conta salários, comissões, ferramentas, taxa de agência e qualquer despesa ligada àquela operação.

A fórmula é:

ROI = (Receita − Investimento total) ÷ Investimento total × 100

Exemplo. A mesma clínica gastou R$ 2.000 em anúncios, mais R$ 1.000 entre o gestor de tráfego e as ferramentas usadas. O investimento total foi R$ 3.000. A receita atribuída foi R$ 8.000. O ROI foi (8.000 − 3.000) ÷ 3.000 × 100 = 166%.

Repare que o mesmo esforço rende dois números diferentes. O ROAS enxergou só os R$ 2.000 de anúncio. O ROI enxergou os R$ 3.000 completos. Por isso o ROI quase sempre vem menor que o ROAS da mesma campanha.

ROAS vs ROI: a diferença na prática

As duas métricas respondem a perguntas diferentes. O ROAS responde “este anúncio está trazendo receita?”. O ROI responde “este investimento, somando tudo, valeu a pena?”. A tabela abaixo resume onde cada uma se aplica.

CritérioROASROI
O que medeReceita por real gasto em anúncioRetorno sobre o investimento total
Custos que entramSó o gasto com mídiaAnúncio, gestor, ferramentas, comissões, tudo
EscopoUma campanha ou canal específicoO negócio ou a estratégia como um todo
Quando usarNo dia a dia, para pilotar campanhasNo fechamento, para avaliar se compensa
Quem costuma acompanharGestor de tráfegoDono do negócio, gestão financeira

Fonte: Amazon Ads — Retorno sobre o investimento em publicidade (ROAS)

Por que um ROAS alto pode esconder prejuízo

Aqui está o ponto que o relatório mensal costuma não mostrar. O ROAS não sabe qual é a sua margem. Ele compara receita com gasto de anúncio, e ignora o custo de entregar o serviço. Um ROAS que parece ótimo pode significar prejuízo.

Siga o raciocínio. Existe um ROAS de equilíbrio, que é o retorno mínimo abaixo do qual você perde dinheiro. Ele depende só da sua margem de lucro:

ROAS de equilíbrio = 1 ÷ margem de lucro

Exemplo. Um salão trabalha com margem de 30%, ou seja, de cada R$ 100 de receita sobram R$ 30 depois de pagar o custo do serviço. O ROAS de equilíbrio é 1 ÷ 0,30 = 3,33. Isso quer dizer que qualquer campanha com ROAS abaixo de 3,33 está dando prejuízo, mesmo parecendo positiva.

Agora imagine que o relatório mostra ROAS de 3. À primeira vista, ótimo: cada R$ 1 de anúncio virou R$ 3 de receita. Mas o custo do anúncio consome R$ 0,33 de cada real vendido, e a margem só deixava R$ 0,30. O salão perdeu dinheiro em cada venda gerada pelo anúncio, com um ROAS que qualquer relatório apresentaria como bom.

Por isso a leitura correta nunca é só o número do ROAS. É o ROAS comparado com o seu ROAS de equilíbrio.

Qual métrica usar em cada decisão

As duas convivem. A escolha depende da decisão que você está tomando.

Use o ROAS para pilotar no dia a dia. Ele é rápido de calcular e serve para comparar campanhas, canais e criativos entre si, cortar o que rende pouco e reforçar o que rende mais. É a métrica de ajuste de rota.

Use o ROI para decidir se o marketing como um todo compensa. Ele entra no fechamento do mês ou do trimestre, quando você soma tudo que gastou para gerar aquele resultado e compara com o que o negócio recebeu de volta. É a métrica de decisão estratégica.

Uma dica prática: peça ao seu gestor de tráfego o ROAS por campanha para acompanhar a operação, mas guarde o seu ROAS de equilíbrio para saber, sozinho, se o número que ele reporta realmente sustenta o negócio.

Perguntas frequentes

ROAS é o mesmo que ROI?

Não. O ROAS mede só a receita gerada pelo gasto em anúncio. O ROI mede o retorno considerando todos os custos do investimento. O ROI é sempre uma visão mais ampla e costuma vir menor que o ROAS da mesma campanha.

ROAS de quanto é considerado bom?

Depende da sua margem de lucro, não existe número universal. Um ROAS de 3 é excelente para quem tem margem alta e ruim para quem tem margem apertada. O parâmetro certo é o seu ROAS de equilíbrio (1 ÷ margem): acima dele, você lucra; abaixo, perde.

É possível ter ROAS positivo e ainda assim prejuízo?

Sim, e é mais comum do que parece. Se o ROAS ficar acima de 1 mas abaixo do seu ROAS de equilíbrio, cada venda gerada pelo anúncio dá prejuízo, porque o custo do anúncio mais o custo do serviço superam a receita.

Qual métrica devo pedir ao meu gestor de tráfego?

Peça o ROAS por campanha e por canal, que é o que ele controla diretamente, e acompanhe junto o custo por lead (CPL). O ROI do negócio depende de custos que estão fora do trabalho dele, como salários e ferramentas, então essa conta é sua.

Conclusão

O ROAS mostra se o anúncio traz receita. O ROI mostra se o investimento inteiro compensa. Nenhum dos dois, sozinho, prova que você está lucrando: para isso, o número que importa é o seu ROAS de equilíbrio, que só depende da sua margem. Quando você entende as três coisas, para de acenar com a cabeça diante do relatório e passa a pilotar as próprias decisões.

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